A priore, desde os tempos imemoriais, era apenas o Caos, que tinha uma forma vaga, indefinível, indescritível, inefável ao mesmo tempo de uma divindade capaz de multiplicar, entranhar-se, fecundar, capaz do ato de se reproduzir.
Entranhando-se então gerou primeiramente a Noite e depois o Érebo. A Noite, filha do Caos, Deusa das Trevas, se tornara então a mais antiga da divindades após ser entranhada para a luz da vida, a luz que tornou-a fria e obscura.
A Noite era a Mãe dos Deuses e era mãe pois entre a Noite e as Trevas precederam todas as coisas doáveis, ou não. A Noite, do jeito que considero-a hermafrodita e do jeito que os povos da Itália a viam - ora com uma manto volante cheia de estrelas, ora a viam como uma mulher nua com longas asas de morcego e um fanal na mão, onde os meninos italianos costumavam a precede-la empunhando uma tocha sobre a sua escuridão, representando assim todo o crepúsculo da noite onde segundo mitos ela vinha então a entranhar e multiplicar seu divino sem unir-se a qualquer outra divindade, tornando-se então Pai e Mãe do Destino, que era tão inevitável e inflexível.
Em seguida dando vidas como Mãe e Pai da Parca Negra, da Morte, do Sono, dos Sonhos, Momo, da Miséria, das Hespérides – guardadoras dos pomos de ouro, das desapiedadas Parcas, da terrível Nemsias, da Fraude, da Concupiscência, da triste Velhice e da obstinada Discórdia e tudo que havia de doloroso na vida.Mas a noite ainda assim era a Eufrone e Eulália de tudo. Era a Mãe do bom conselho.
A Noite como primeira filha do Caos, tinha um irmão, que era seu esposo também! Érebo, Filho do Caos que deu origem ao o Éter e o Dia após ser metamorfoseado nos rios e precipitado nos Infernos, por ter socorrido os Titãs. Érebo fazia parte do Inferno e é mesmo considerado como o próprio Inferno. Pela palavra Éter, os gregos compreendiam os Céus, separados dos corpos luminosos do vocábulo Dia, o feminino Hèméra.
Dizia-se que o Éter e o Dia foram o pai e a mãe do Céu. Essas estranhas uniões significam somente que a Noite existia antes da criação que a Terra estava perdida na obscuridade que a cobria, mas que a Luz, penetrando através do Éter, havia aclarado o universo. Numa simplificação diz-se que a Noite e o Caos precederam à criação dos céus e da luz e trabalharam um pouco mais na criação do inexorável destino.

